°• A T I R A N D O •°

 

 

 

 

 

 

 

     H i s t ó r i a    d a s    P i s t o l a s



          Ao término do século XIX, vários projetistas e marcas vinham trabalhando em armas curtas em que o efeito ação-reação da explosão do projétil desencadeava o movimento de peças ou componentes da arma. 

          O princípio das armas semi-automáticas só foi possível quando apareceu e se consolidou a munição de cartucho metálico. Uma das primeiras armas semi-automáticas lançadas comercialmente no mercado foi projetada pelo norte-americano Borchardt, fabricada na Alemanha e poucos anos depois serviu como base para os desenhos de George Luger. A Mauser, Cal 7.63 também marcou um avanço importante. Mas coube ao inventor mais brilhante, John Moses Browning, criar a arma que marcaria os próximos 50 anos. Nascido em Utah, USA, o filho de um armeiro mórmon, Browning, aos 20 anos, trabalhando em negócio familiar, inventou vários modelos de rifles que chamaram a atenção da companhia Winchester. Browning desenvolveu formidáveis e prósperos projetos para aquela companhia, mas as relações deterioraram e emigrou para a Europa, indo trabalhar com a companhia Belga FN. Lá desenvolveu uma série de armas no calibre .25, .32, .380, .38 e .45. Muitos destes projetos foram fabricados nos Estados Unidos, sob licença da companhia Colt.
          As armas simples e robustas de Browning terminaram marcando uma regra e impondo o sistema de deslizamento flutuante e destacável da armação, mecanismo de extração do cartucho usado, carregador na culatra, trava, retenção da peça flutuante, facilidade de desarmamento e necessidade de poucas peças para operação da arma.



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C O L T

         A consagração destas armas veio em 1911, quando as forças armadas dos Estados Unidos adotaram como arma regulamentar do Governo , no calibre .45 e lhe deram a denominação A1. A arma permaneceu em serviço até a década de 80, foi copiada, imitada e serviu como inspiração para dezenas de modelos de outros fabricantes na Espanha, Suíça, França, Argentina, México, Bélgica, etc…
          
          A arma semi-automática Colt 1911 A1 é um arma de ação simples, com cão externo, trava no cabo e outra manual, miras fixas e carregador com capacidade de 7 cartuchos calibre .45.
          O sucesso da arma foi tão grande que ainda é atual; passado quase um século de seu projeto, a Colt segue fabricando sob a denominação 1911 A1 e ela, e suas derivações, devidamente preparadas, são algumas das armas que se utiliza no tiro esportivo.




COLT 1911 A1 – ORIGINAL DA ÉPOCA.



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U G E R

       A segunda pistola semi-automática desta coleção é uma das armas mais conhecidas e legendárias, inconfundível pela sua silhueta. Esta arma representa a primeira pistola bem balanceada e que funcionava perfeitamente, isto é, sem “atolar” ou apresentar irregularidades em seu ciclo. Trata-se da Pistola-Parabellum 9 mm Modelo 1908 (P08), mais conhecida tão-somente como “LUGER”. Baseando-se em projetos que o norte-americano Borchardt realizou na Alemanha, German Luger os simplificou e criou, em 1900, uma pistola elegante, perfeitamente equilibrada, agradável de usar, muito embora bastante complicada pela quantidade de suas peças, um mecanismo básico de desmontagem e a fragilidade de alguns componentes.
         A Pistola anterior a ela, era de extrema simplificação e uso de um deslizante que John Moses Browning imporia anos depois, apresenta um mecanismo original para absorver a energia do tiro, fazer peças colocadas na parte superior da arma voltar e fazer daquele modo o “ciclo” da arma.
         O sistema de “deslizamento completo”, mais eficiente e mais sensível, fez ver como pouco funcional outro tipo de mecanismo para levar a cabo o ciclo da arma semi-automática. Poucas armas mantiveram aquele tipo de mecanismo, a Lahti finlandesa, a Nambu japonesa e, a única que ficou até o presente, a Ruger Calibre .22.
         O exército suíço foi o primeiro a adotar a Luger, no calibre 7,65, em 1902 e em 1908 o exército alemão, mas no calibre 9 mm. Embora tenha sido substituída oficialmente em 1936 pela Walther P38, foi amplamente usada pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Até os anos 60, era freqüente ver pistolas Luger no cinema e na televisão.
         A Luger P08 foi fabricada maciçamente, inicialmente pela Deutsche Waffen und Munitions Fabriken (DWMF), mas a partir de 1917 foi feita na Königlich Gewerfabrik Erfurt. Então, com as necessidades bélicas e intervalos entre as guerras, foi fabricada em diferentes países e companhias, geralmente em calibre 9 mm ou 7.65. Alguns poucos exemplares, no momento um dos objetos de coleção de maior valor, foram feitos no calibre .45 para tentar o mercado norte-americano.
      A Luger foi copiada, imitada, clonada, sendo atualmente fabricada pela Mauser Alemã para o mercado de nostálgicos e colecionadores, com mínimas diferenças da original. Elegante, atrativa, a Luger dominou o cenário durante cinqüenta anos, ainda que sua eterna rival, a Colt M1911 A1, calibre .45, desenhada por Browning, terminaria por determinar como seriam as pistolas nos anos seguintes.



LUGER P08 - ORIGINAL DA ÉPOCA.




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W A L T H E R

          A Luger P08 demonstrou que o conceito de uma arma curta que gera um ciclo para alimentar-se, ejetando o cartucho usado e introduzindo um novo na câmara para o segundo tiro, era suficientemente eficiente. Apenas alguns anos depois a Colt 1911 A1 deu o toque de simplicidade e funcionalidade à arma semi-automática. Mas ainda tinha aspectos técnicos para resolver no desenvolvimento deste tipo de arma.

          A capacidade do carregador, 7 ou 8 tiros, não era muito diferente ou superior aos tiros dos revólveres de ação dupla. Sempre tinha a possibilidade de uma falha na alimentação, e talvez a coisa mais importante: para qualquer militar, polícia ou funcionário civil que tinha que usar armas, considerou suficientemente segura uma arma com um cartucho na câmara, um cão pronto para disparar, embora as armas tivessem seu próprio mecanismo de segurança. Foram desenvolvidas técnicas de armar e alimentar rapidamente a arma, caixas com retenção do cão, mas a grande dúvida permaneceu: como portar a arma? Alimentada com a trava de segurança? Sem alimentar? Mas, e se fosse necessário atirar depressa se perderiam preciosos segundos ao alimentar a arma…?
          A resposta ou solução para este problema foi proporcionada em 1929 pela empresa alemã Carl Walther Waffenfabrik AG com sua “Walther Selstladepistole Modelo PP – Polizei Pistol” e pouco tempo depois com uma versão mais curta, a PPK ´´Polizei Pistol Kurtz´´.
Tratava-se de uma pistola pequena e elegante, com cão externo, em que a alimentação se fazia, como em qualquer outra pistola, puxando a culatra para trás e, soltando-a, introduzia a primeira munição na câmara do cano.
          A inovação da Walther consistia em, ao baixar a trava de segurança, caía o cão de modo a não percutir o projétil, o mecanismo do disparador permitia que o primeiro disparo se fizesse tipo revólver, ao acionar o gatilho o cão retrocedia e efetuava o disparo. Os disparos seguintes deixavam o cão para cima e a arma em ação simples. Esta função permitiu portar pistolas alimentadas sem riscos e realizar o primeiro disparo somente apertando o gatilho o que se chamou de “Dupla ação”.
          As pistolas Walther PP y PPK foi fabricada nos calibres: .380, 7,65, 6,35 e .22. Foi copiada e clonada muitas vezes e em muitos países. Apesar de seus 70 anos de existência, segue sua fabricação com êxito pela Walther, na Alemanha e USA. Ian Fleming, o autor das novelas de James Bond, dotou seu personagem OO7 de uma PPK como arma regulamentar, imortalizando assim essa pistola ao levar suas novelas ao cinema. Mas recentemente, dotaram James Bond de pistolas mais modernas e adequadas que a antiquada Walther PPK.



WALTHER PPK – ORIGINAL DA ÉPOCA.



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B R O W N I N G

            Nos mesmos anos que a fábrica Alemã Walther resolvia o problema da dupla ação, com seus modelos PP, PPK e em seguida com a P38, faltava dotar as pistolas semi-automáticas de uma vantagem quase definitiva em comparação aos revólveres. Refere-se à capacidade da arma. As pistolas em uso a partir da Primeira Guerra Mundial, a Colt .45, a Luger P08 e outras dessa época, tinham carregadores com capacidade para 7 projéteis, o que não representava muita diferença com os seis dos revólveres. Recai novamente ao genial John Moses Browning incorporar em seus últimos projetos de armas curtas uma sensacional novidade: o punho um pouco maior, sem perder ergonomia, para aceitar um carregador de grande capacidade, onde os projéteis se sobrepõem, ligeiramente deslocados.
              Em 1920 o exército francês estava interessado em uma pistola de calibre 9 mm. como arma regulamentar. Browning tentou motivar a Colt com esse projeto. Mas esta empresa estava muito contente e satisfeita com o resultado que tiveram da fabricação da pistola .45, projetada pelo próprio Browning e adquiridos os direitos da FN da Bélgica, assim que não deram atenção ao inventor. Novamente recorreu à FN, aonde começaram a desenvolver vários modelos em 1922 e 1923.
              Browning trabalhou em estreita colaboração com o engenheiro chefe da FN, Diedonne J. Saive. Embora estivessem muito contentes com os modelos fornecidos, o orgulho francês não permitia que adquirissem uma arma “estrangeira”, então se dedicaram ao projeto e fabricação de sua própria versão da Colt 1911 A1, no calibre 9 mm e assim nasceu a “Pistolet Automatique Modèle 1935”, conhecida como MAS 35, adotada oficialmente pelas forças armadas francesas e que resultou bastante inferior á Colt ou ao novo projeto de Browning.
          Em 1926 John Moses Browning morreu e Diedonne J. Saive continuou com o desenvolvimento da arma. Reduziu a capacidade do carregador de 15 tiros para 13 e aperfeiçoou uma série de detalhes. Resultou uma arma sensível, com um acionamento mais simples que a Colt .45, eficiente e resistente, de ação simples.
             A arma foi conhecida como a Browning GP35 (Grande Puissance) na Europa e HP35 (High Power) nos países de língua inglesa. Muito embora o exército Francês perdesse a oportunidade de utilizar uma arma de primeira categoria, 50 outros países a adotaram como arma regulamentar, alguns como Inglaterra e o Canadá a fabricaram sob licença. Foram fabricadas mais de 10 milhões de exemplares.
                 Atualmente segue a fabricação da Browning em 5 modelos, no calibre 9 mm e .40 S&W. Serviu de origem para dezenas de outros projetos, “clones” e versões em dupla ação.



BROWNING HP35 – ORIGINAL DA ÉPOCA.




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S M I T H   &   W E S S O N

          Os Estados Unidos, por sua história e tradição, têm uma relação especial com armas curtas e de uso da população civil. Especialmente com os revólveres de ação simples e dupla, os primeiros atribuídos ao legendário inventor Samuel Colt. Ainda, os Estados Unidos representam um gigantesco mercado em que todo fabricante deseja entrar e obter um pedaço. Nos anos 50, o revólver de ação dupla viveu seus anos de ouro neste país. Todas as organizações policiais utilizavam este tipo de arma. As forças armadas, desde 1911 adotaram a pistola semi-automática Colt .45, as “autoloaders”, como eram chamadas lá, e não eram utilizadas por policiais ou civis.
          Em 1955, a empresa Smith & Wesson, a maior fabricante de revólveres do mundo, se atreveu a lançar uma pistola semi-automática, a Modelo 39, que reunia duas das três características essenciais de uma pistola moderna: Primeiro, foi a primeira pistola de ação dupla fabricada nos Estados Unidos. Segundo: utilizava o calibre 9 mm, largamente usado na Europa, mas quase desconhecido lá na época. O elemento que faltava era a capacidade do carregador. A pistola belga Browning HP35 já tinha essa marca. No entanto, os projetistas da Smith & Wesson preferiram manter o carregador linear com apenas 8 projéteis.
          O Modelo 39 apresentou uma pistola grande, pesada e volumosa, mistura das Colt e Browning, mas de ação dupla. Os fabricantes a promoveram amplamente entre as forças policiais e algumas organizações a adotaram. Mas, mudar a tradição norte-americana do calibre .45, por outra munição menos potente, era difícil. Ainda mais que algumas pistolas M39 começaram a apresentar falhas no ciclo de alimentação.
        A nova pistola da Smith & Wesson apareceu em uma época difícil para as armas. No entanto a lembrança da segunda guerra mundial estava muito presente. As sobras de armas do grande conflito mundial era conseguida com muita facilidade e a delinqüência e o terrorismo, quase inexistentes nesta época, não evidenciavam a necessidade de novas armas desse tipo.
         A M39 deu origem posteriormente a uma série de modelos de pistolas, mas não tiveram o êxito esperado. Seria provável um êxito maior se tivessem sido projetadas com um carregador maior, com capacidade para 13 ou 15 projéteis. Se não teve um êxito comercial, a M39 foi determinante para introduzir o calibre 9 mm nos Estados Unidos e impor o sistema de ação dupla nas pistolas semi-automáticas.



SMITH & WESSON M39 - ORIGINAL DA ÉPOCA.



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H E C K L E R   &   K O C H

          Durante muitos anos, depois da segunda guerra mundial, as forças armadas e policiais do mundo todo pareciam conformes com as armas curtas que estavam à sua disposição e não houve maior esforço para conseguir novos projetos. Desde os anos 50 até os 80, em plena guerra fria, a maior preocupação eram as armas termonucleares, mísseis intercontinentais e o equilíbrio do terror, e não novas armas curtas. Os Estados Unidos foram à guerra do Vietnã com sua tradicional Colt M1911A1, calibre .45, e no ocidente predominava a Browning HP35. A pistola italiana Beretta M1951 conseguiu certa aceitação, enquanto o bloco oriental utilizava a Tokarev e depois a Makarov.
          Foi quando a Alemanha começa de novo a fabricação de armas inovadoras. A empresa Heckler & Koch juntou projetistas, engenheiros, especialistas e empresas germânicas. Partindo de projetos que técnicos alemães fizeram na Espanha, no fuzil de assalto CETME, lançam no mercado o G3, um excelente fuzil de assalto de calibre 7,62 que compete favoravelmente com o FAL e é adotado por muitos países. A Heckler & Koch também inicia uma linha de pistolas semi-automáticas: a HK-4, a PS-9 e outras… Mas somente com o modelo P7 conseguem um real impacto no mercado.
          Na busca de resolver o problema das pistolas semi-automáticas de ação dupla, que apresentam uma diferença entre o primeiro disparo e os seguintes, a H&K projetou um arma com um mecanismo original: a empunhadura apresenta uma peça saliente, que ao pegar a arma na mão e oprimi-la, aciona o percussor da pistola. Desta forma se pode usar esta arma com segurança e com uma bala na câmara e todos os disparos, desde o primeiro até o último, requerem a mesma pressão na empunhadura.
          Uma arma pequena, compacta, ergonômica e apesar de seu curioso mecanismo, a P7 foi fabricada em 9 mm, com carregador de 8 projéteis. Após se seguiram modelos derivados. O mais importante foi a P7M13, com culatra maior para alojar um carregador de coluna dupla, com treze projéteis.

          A Heckler & Koch P7M13 foi adotada por orgãos policiais alemães e de outros países. É considerada uma pistola semi-automática extremamente segura, eficiente e precisa. Seu mecanismo, mesmo não sendo copiado e nem tendo inspirado outros projetistas, demonstrou que era possível inovar em matéria de armas curtas. Atualmente é fabricada sob denominações de P7M8, P7PSP e P7M13, todas em calibre 9 mm.


HECKLER & KOCH P7 - ORIGINAL DA ÉPOCA.




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S I G - S A U E R

            Durante os anos que se seguiram após a segunda guerra mundial, marcados por pouco interesse de projetar novas armas curtas, especialmente pistolas semi-automáticas, alguns países que necessitavam renovar suas armas regulamentares, conseguiram aperfeiçoar os projetos de Colt e Browning que predominavam no ocidente. Sem nenhuma inovação especial, com carregador linear de 8 projéteis, de ação simples, cão externo, a suíça SIG P210 é considerada como uma das melhores pistolas fabricadas.
             Em 1937, baseando-se em patentes francesas de Charles Petter, que por sua vez se apoiavam em projetos de Browning, a fabrica suíça Schweizerische Industrie Gesellschaft – SIG – começou a desenvolver uma pistola. Mas se passa mais de 10 anos para que a pistola comece a ser produzida. Nasce a Sig P210, introduzida no mercado como modelo 49. É diferenciada da Browning HP35 por seu desenho alargado, o botão para extrair o carregador estava na base da culatra, muito ao estilo europeu e tinha o sistema deslizante “embutido” dentro da caixa, e não em cima dela. A Sig P210 resultou uma arma extraordinariamente precisa, com ótimo acabamento, uma excelente produto que resultou em alto custo para competir no mercado internacional. Assim, somente as forças armadas da Suíça e Dinamarca a adotaram como regulamentar. Foi fabricada no calibre 9 mm e 7,65 mm.

          No ano de 2000 a SIGARMS, conglomerado de empresas que incluiu a Sig, Sig-Sauer, Mauser e outras, decidiu voltar a produzi-la, com quatro variantes, cujas diferenças variam no tipo de miras, localização do extrator do carregador, curso do gatilho, comprimento do cano, compensadores, etc…


SIG P210 – ORIGINAL DA ÉPOCA.



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B E R E T T A


          As forças armadas dos Estados Unidos adotaram em 1911 a pistola semi-automática Colt, calibre 45. Com ela foram à primeira e à segunda guerra mundial, a guerra da Coréia e a do Vietnã. Ao fim destes conflitos os Estados Unidos pressionaram fortemente seus aliados da OTAN para adotar um calibre comum, menor e manejável em rajadas do que o 7,62 mm que se utilizava e então padronizaram os fuzis de assalto da Aliança do Atlântico Norte no calibre 5,56 mm. Em contrapartida, os países europeus, que já utilizavam extensamente o calibre 9 mm (9×19), exigiram que também se unificassem os calibres das armas curtas.


          Por outro lado, desde 1911, as armas curtas evoluíram consideravelmente. Então as forças armadas dos Estados Unidos convocaram, no início dos anos 80, um concurso aberto para substituir a venerável Colt 1911 A1.
Foi exigido que se fizesse uma pistola semi-automática de ação dupla, de calibre 9 mm, com capacidade mínima de 15 tiros e que tivesse dispositivo interno de segurança, de modo que o cão não atingisse diretamente o percussor.

            Atraídos pela magnitude do contrato em jogo, participaram quase todos os fabricantes, tanto dos Estados Unidos como de outros países. Os participantes estrangeiros tiveram que firmar compromissos para fabricar a arma nos Estados Unidos. Isto fez com que alguns países desistissem. Finalmente continuaram na disputa a Smith & Wesson, Sig Sauer, Heckler & Koch, Colt e a italiana Beretta. Os testes se realizaram por mais de um ano e para surpresa de todos, e indignação dos fabricantes locais, se impôs a italiana Beretta 92F, que passou a chamar-se modelo M9.
          A Smith & Wesson e a Sig Sauer protestaram sobre a decisão, enquanto a consternação tomou conta dos simpatizantes da Colt e da Smith & Wesson. Mas a verdade é que nenhum dos fabricantes locais propôs um modelo de pistola que fosse realmente superior. Este concurso ocorreu meses antes que a Glock aparecesse no mercado, rompendo todos os esquemas vigentes. A Beretta ganhadora era evoluída do modelo 1951, adotada como arma regulamentar pelo Egito e Israel. A modelo 92 apresentava várias melhorias, como mecanismo de ação dupla, carregador de grande capacidade, ergonomia melhorada, sistemas de miras redesenhado, segurança ambidestro, e botão do carregador recolocado, etc…
          Pietro Beretta é o fabricante de armas mais antigo do mundo. Suas primeiras armas datam de 1526 e sempre mantiveram uma alta qualidade e acabamentos de primeira. O modelo 92F resultou uma arma grande, muito bem construída, robusta, resistente, confiável e com preços aceitáveis para o governo norte-americano. Isso era tudo que as forças armadas deste país queriam. Rapidamente, o fabricante Bianchi, norte-americano, projetou um coldre perfeito para a Beretta e seus acessórios.
A Beretta M9, como se conhece nos Estados Unidos, segue sendo a arma regulamentar, ainda que fizeram compras da Sig Sauer e os grupos especiais foram equipados com a H&K USP. A 92F, da qual derivaram múltiplos modelos da própria Beretta, assim como “clones” de outras marcas, foi adotada por mais de 2.000 forças policiais e militares do mundo. O cinema e a televisão contribuíram notadamente para a sua popularidade. Mas, apesar de ser uma boa pistola semi-automática, contribuiu, de maneira definitiva para “romper” o mercado norte-americano das armas curtas, abrindo uma porta para os fabricantes estrangeiros, por onde entrariam mais tarde a Glock, Taurus, Sig Sauer, Heckler & Koch, CZ e muito mais.



BERETTA 92F – ORIGINAL DA ÉPOCA.




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G L O C K

          Gaston Glock, austríaco, especializado em ligas e combinações de aço e polímeros, fundou em 1963 uma fábrica na localidade de Deutsch-Wagram, e logo se tornou em fornecedor de acessórios para metralhadoras, granadas de exercício, facas e pás de campo para as forças armadas de seu país.
         Em 1980 as forças armadas austríacas convocam um concurso para substituir a pistola regulamentar e convidam a Glock para participar. O fato de não estar no negócio de fabricação de pistolas dá à Gaston Glock uma perspectiva original e moderna. Visualiza um novo desafio e projeta a pistola semi-automática Glock 17 no calibre 9 mm. A pistola, de aspecto grosseiro, simples, quadrada, sem cão externo nem seguranças manuais, aglutinava uma série de propostas: carregador de grande capacidade, uso de polímeros no chassi, com peças embutidas e, principalmente, resolvia o problema do primeiro disparo das semi-automáticas de ação dupla. Não foi a primeira pistola com carregador de grande capacidade, nem a primeira com frame de polímero, nem a primeira sem cão externo. Sua originalidade resultou no sistema de funcionamento, batizado de “Safe Action” que permitiu a eliminação de seguranças manuais.
        O “Safe Action” permite carregar a arma com um cartucho na câmara, com segurança total e os tiros, do primeiro ao último, requerem que se aperte o gatilho. O mecanismo do tiro começa ao colocar o dedo junto ao gatilho e apertar uma lingüeta. Este mecanismo bloqueia o movimento do gatilho. Ao apertar a lingüeta com a gema do dedo e iniciar o movimento do gatilho, dois dispositivos internos de segurança são desativados: o primeiro, chamado de “safety firing pin” impede que a agulha percussora atinja a munição na câmara; e o segundo, chamado de “safety drop” impede que a agulha percussora avance a menos que seja apertado o gatilho completamente. Dito de outra maneira, se não inserir o dedo no guardamato e apertar o gatilho, é absolutamente impossível que o tiro aconteça, durante uma queda da arma.
          A combinação de elementos e a eliminação de dispositivos manuais de segurança permite ao tirador concentrar-se mais na tática e no disparo, sem distrações produzidas pela manipulação da arma. Ainda mais, a Glock, fabricada com materiais de primeira e processos “robotizados” resultou uma pistola extremamente resistente, que podia utilizar qualquer tipo de munição 9 mm e requer uma manutenção mínima. Ganhou o concurso e se tornou a arma regulamentar das forças armadas da Áustria, e em breve da Noruega. Ao perceber que aumentavam os pedidos, a Glock foi introduzindo novos modelos de pistolas e ampliando sua área de influencia. Apresentam a Glock 18, de tiro automático para uso militar e policial, depois a compacta 19 e a esportiva 17L.
          Em 1985 montam uma fábrica nos Estados Unidos para alcançar este gigantesco mercado; em 1988 em Hong Kong para o mercado asiático e australiano; em 1990 centralizam as operações para América Latina no Uruguai. Atualmente produzem pistolas Glock nos calibres 9 mm, 10 mm, .357, .380, .40 e .45 e em cada calibre uma variedade de modelos. Por exemplo, somente em 9 mm existem a 17, 17L, 19, 26, 34 e 18, e ainda algumas podem ter a opção “C” com compensador. Foram vendidas mais de 2 milhões de pistolas e as Glock são utilizadas por forças policiais e militares, grupos especiais, etc…
          A pistola Glock marcou o uso definitivo do polímero no chassi das pistolas, estabeleceu padrões e regras de simplicidade e robustez e seu sistema “safe action”, devidamente patenteado, não tem sido superado.​​


GLOCK 17




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 O FUTURO DAS ARMAS CURTAS É IMPREVISÍVEL !






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Bibliografia Básica:


1 – Diversos sites de conteúdos sobre armamentos do mundo

2 – pt.armas.wikia.com/wiki/Pistolas

3 – www.glock.com/

4 – pt.wikipedia.org/wiki/Glock

5 – Diversos documentos e pesquisas sobre armamentos


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